4.1.08

Moeda de troca

Esta nota não fala de Nova Iguaçu, mas do governo Lula. O aumento da alíquota da IOF vai atingir em cheio os idosos que recorreram aos empréstimos consignados e que hoje estão sufocados de prestações. Se a aplicação deste imposto fosse de forma progressiva, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas, seria menos injusta com as classes de renda mais baixa. Lula se orgulha de falar do seu Bolsa-Família, mas ele não tem coragem de dizer que o aumento do IOF vai, sim, prejudicar as camadas mais pobres da população que são reféns dos BMG e Rural, aquelas instituições que são "agiotas de alvará" e que financiaram o mensalão. Talvez, o aumento do IOF seja essa moeda de troca.

Um comentário:

Núcleo Américo Barreira disse...

Os jornais de todo Brasil reproduziram a indignação de setores da chamada elite da sociedade brasileira (representados nas federações de Bancos, Empresários da Indústria e Comércio e de seus partidos principais como o DEM e o PSDB) contra as medidas anunciadas pelo Governo para compensar o fim da cobrança da CPMF a partir de 1º de janeiro de 2008.

O fato é que estes setores até hoje não aceitam as duas derrotas sofridas em 2002 e 2006 e a inversão de prioridades que o governo Lula vem implementando no país, com uma clara opção em favor dos excluídos, sem se descuidar da economia, do crescimento e desenvolvimento da nação.

A tática é de inviabilizar (via Congresso, em especial no Senado da República) toda e qualquer medida que possa contribuir para o êxito da política social e econômica do governo aliado a uma campanha midiática que visa atrair a classe média conservadora e outros setores da sociedade que sempre se beneficiaram do modelo capitalista implementado no Brasil.

As oposições não conseguirão engessar e paralisar o governo com suas manobras. O presidente Lula mostrou que não está disposto a abrir mão de governar o País, conforme a feliz afirmação do Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo: "Não pode ter inversão de papéis. A oposição não pode querer governar o país lá da praia".

Segundo reportagem do jornal O Globo (4/1/2008) o Governo estava dividido e articuladores políticos sugeriam debate sobre pacote com a oposição. "Mas, segundo um assessor palaciano, o presidente Lula avaliou que dificilmente o PSDB e o DEM iriam ajudar no debate. Pelo contrário. A suspeita é de que, chamada para o diálogo, a oposição dificultaria ao máximo as propostas do governo até inviabilizar algumas das medidas fiscais para compensar a CPMF. Para evitar esse risco, Lula autorizou o anúncio das medidas pelos ministros Mantega e Paulo Bernardo."

A tática da oposição de inviabilizar o governo está explicitada na coluna de Merval Pereira (O Globo, 04/01/08) onde diz que os líderes do DEM "passaram os últimos cinco anos tentando descobrir como fazer oposição a um governo popular - com exceção do período em que o mensalão esteve em evidência - e com a economia crescendo. (...) Essa ligação direta com o 'povão' faz com ele (o presidente Lula) seja sempre bem avaliado pessoalmente, e essa avaliação atinja por osmose o governo. (...) Nessa visão oposicionista, o Brasil velho, caracterizado pelas políticas assistencialistas do governo Lula, vai até 2010. Eles acreditam que, com a CPMF, conseguiram fazer uma ligação entre o peso no bolso do cidadão comum e os festejos do governo de aumento de arrecadação cada vez maiores. Mostrando o efeito da carga tributária alta, que não favorece o cidadão em serviços essenciais e só tira seu dinheiro. (...) Diante do aumento dos impostos, a oposição vai fazer uma campanha para culpar o governo pelo fato de que o fim da CPMF não teve conseqüências na queda dos preços, especialmente dos serviços como água, luz, gasolina, onde o governo poderia interferir, ou mesmo as agências reguladoras, para obrigar as empresas a dar o desconto".

Mostrando o quanto o PSDB e o DEM estão afinados, o senador Tasso Jereissati disse em entrevista, ao comentar as medidas do governo: " - Se continuar assim, nós devemos entrar num processo de obstrução e numa luta passo-a-passo. Nós vamos ser obrigados a ser mais resistentes do que nos cinco anos anteriores do governo Lula."

Não tenho dúvida que os tucanos e os "demos" farão de tudo para recuperar o governo em 2010.

Hebert Lima