30.6.09

Mais um capítulo da cidade que virou suco, ou melhor, bagaço

Por Claudia Maria

Por motivos técnicos segue hoje mais um capítulo de nossa novela.

A cidade que virou suco- ou melhor, bagaço

No último capítulo vimos como nosso anti-herói conheceu na Terra dos Eleitos, Fernando, simplesmente Fernando. Logo no cruzar de olhares foi amor à primeira vista. Fernando parecia reunir tudo que nosso futuro monarca precisava. Era belo, simpático, gostava de espancar prostitutas na noite e, acima de tudo, adorava uma rapadura e não podia ficar perto de um pote de açúcar que soprava sem parar, igualzinho ao lobo que queria derrubar a casa da Chapeuzinho Vermelho (ou seria da Branca de Neve?). Isso não tem a menor importância.
O mais importante é que, depois daquela festa, os dois ficaram amigos de infância e Fernando sempre segurava a mão de nosso rapaz quando ele virava fera nas luas cheias. Acontece que o destino cruel quis acabar com essa linda amizade. Uma vez empossado xerife, Fernando resolveu confiscar todos os cofrinhos que pudesse alcançar e não poupou nem os amigos. Nosso futuro monarca foi o primeiro a ter seu cofrinho de porquinho, lembrança de sua falecida avó, confiscado.
Indignado, o rapaz pegou algumas tintas que tinha em casa e pintou a cara. Tinha aprendido isso com alguns índios que visitara certa vez. “Quando estamos nervosos e queremos trucidar alguém pintamos a cara para ninguém conhecer a gente”. Só que ele não sabia direito o que era trucidar e nem tinha preta em casa. Só tinha mesmo uma sobra de verde e amarelo que eles tinham “pego emprestado” do Exército no dia da Independência. Mesmo assim, achou que serviria. Foi para rua disposto a cometer uma loucura! Se encontrasse Fernando os dois sairiam no braço como fazem os machos!
Mas, de repente, depois de andar alguns metros percebeu que algumas pessoas o seguiam. Elas gritavam “fora Fernando”. “Será que era o mesmo?” Pensou nosso confuso rapaz. Depois de uns dois quilômetros resolveu que, mesmo que não fosse o mesmo Fernando, uma confusão sempre valia a pena. Assim, foram parar na porta da Casa da Mãe Joana, local em que Fernando costuma treinar seus socos e exercer seu mandato de xerife. Assim que Fernando viu nosso futuro monarca liderando todas aquelas pessoas pensou: “Caramba, acho que exagerei”. Pegou todos os cofrinhos que podia e saiu pela porta dos fundos.

Saiba no próximo capítulo como nosso anti-herói exerceu seu mandato.

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